quarta-feira, abril 19, 2006

segunda-feira, abril 10, 2006

já já eu desligo o rádio
e canto pra você as mais sórdidas mentiras
que seu ouvido gosta de ouvir

você lembra a infância ditadora que nossos pais tiveram
você lembra tudo o que eu quis e não pude ter
o canto da sala

o canto da sereia
e Ulisses sem querer me ouvir.

sexta-feira, abril 07, 2006

quarta-feira, abril 05, 2006

os espelhos refletem meu tênis
nas ruas molhadas que atravesso

espelhos que se quebram pelos pneus dos carros apressados no cinza da manhã

segunda-feira, março 27, 2006

quinta-feira, março 23, 2006

tal qual um sapato velho
há marcas de terra na sola dos meus pés
vindas lá do horizonte
que tá sempre tão distante...

sábado, março 18, 2006

em março as árvores trocam de roupa
e o céu chora todo um ano que se foi

lembranças guardadas
na anágua do vestido bordado
com fotografias envelhecidas
de um outono que passou

quarta-feira, março 08, 2006

em que circunstâncias
tua mão esquerda se apoderou do meu seio direito
e tua saliva tatuou o meu cangote

provocando essa cat[ARRR!!!]se?

quinta-feira, março 02, 2006

onirismo

um sonho de trezentos e um mil caracóis
[que não são dos teus cabelos]
colorem a madrugada da pequena medusa
[que nem imagina o seu destino]

era um sonho
.
.
.
era real.

domingo, fevereiro 26, 2006

um dia com jaco

da lâmina escorre o teu sangue

a história da tua vida
marcada pelos trastes retirados
do teu contra
b
a
i
x
o

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

tudo/nada

tudo era um ontem
sem sentido algum
[a não ser o fato de que nada se poderia mudar. tudo havia passado. tudo era passado. findo]
nada nos chegava às mãos
tudo escapulia

agora há essa possibilidade de alcance
que as dobras do teu corpo nos trouxe
[teu pescoço escondido
tua gengiva cor de rosa
as janelas da tua alma azul]

cada porta que se abre, agora,
é o tudo
[possibilidade]
o nada virou ontem

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

um cheiro que fica e consola
saudades da inocência
e da tua gargalhada sonora

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

nós seríamos
se jamais fôssemos
o que éramos

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

uma sombra no meu quintal desenha um pássaro suave
que faz cânticos às 6 horas da manhã

do outro lado
um feixe de luz vence a barreira
e atravessa cílios

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

a introspecção por vezes é meu escudo
[travo até diante do espelho]
aquela que aparece é a face no disfarce
mas não disfarço o medo de ser quem vc pensa

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

sexta-feira, janeiro 27, 2006

o que o alimentava
era o hálito de luxúria que da sua boca exalava
nem cálice de vinho
nem absinto
nem licor o deixavam mais embriagado
do que aquele hálito
o perfume de sexo
derramado em cima da cama

terça-feira, janeiro 24, 2006

a distância é sempre a mesma
mas ir parece ser mais custoso do que a volta

o retorno [eterno de Nietzsche] apressa o tempo

e no verão com seu horário
ganho uma hora a mais contigo

sexta-feira, janeiro 13, 2006

daqui
onde o mar vira artérias da ilha
eu vejo algodões densos

uns em forma de urso
outros em forma de rinoceronte

eu perto do sol
eu nuvem
em forma de saudade