domingo, fevereiro 26, 2006

um dia com jaco

da lâmina escorre o teu sangue

a história da tua vida
marcada pelos trastes retirados
do teu contra
b
a
i
x
o

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

tudo/nada

tudo era um ontem
sem sentido algum
[a não ser o fato de que nada se poderia mudar. tudo havia passado. tudo era passado. findo]
nada nos chegava às mãos
tudo escapulia

agora há essa possibilidade de alcance
que as dobras do teu corpo nos trouxe
[teu pescoço escondido
tua gengiva cor de rosa
as janelas da tua alma azul]

cada porta que se abre, agora,
é o tudo
[possibilidade]
o nada virou ontem

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

um cheiro que fica e consola
saudades da inocência
e da tua gargalhada sonora

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

nós seríamos
se jamais fôssemos
o que éramos

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

uma sombra no meu quintal desenha um pássaro suave
que faz cânticos às 6 horas da manhã

do outro lado
um feixe de luz vence a barreira
e atravessa cílios

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

a introspecção por vezes é meu escudo
[travo até diante do espelho]
aquela que aparece é a face no disfarce
mas não disfarço o medo de ser quem vc pensa

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

sexta-feira, janeiro 27, 2006

o que o alimentava
era o hálito de luxúria que da sua boca exalava
nem cálice de vinho
nem absinto
nem licor o deixavam mais embriagado
do que aquele hálito
o perfume de sexo
derramado em cima da cama

terça-feira, janeiro 24, 2006

a distância é sempre a mesma
mas ir parece ser mais custoso do que a volta

o retorno [eterno de Nietzsche] apressa o tempo

e no verão com seu horário
ganho uma hora a mais contigo

sexta-feira, janeiro 13, 2006

daqui
onde o mar vira artérias da ilha
eu vejo algodões densos

uns em forma de urso
outros em forma de rinoceronte

eu perto do sol
eu nuvem
em forma de saudade

quinta-feira, janeiro 12, 2006

língua afiada
ternura nos olhos
é reuben
com calos de escritor

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Ledusha

ERRATA

onde lia-se desejo
leia-se despejo

não quero mais
essa vertigem de vogais
-tantos ais-
como se fossem consoantes

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SOPRO

estalo a língua ao sabor do vento
o verbo lambe os lábios
de canto a canto
sinto estremecer desordenadamente
o verso

poemas de Ledusha, do livro Finesse e fissura
reflexos nas ruas revelam o choro da noite
o dia tb chora
choram cabelos, sapatos,
choram dedos, narizes, árvores
choram sombrinhas que lutam por um espaço na Rua Grande...

segunda-feira, janeiro 09, 2006

tua gargalhada
cospe notas musicais
que se misturam às estrelas
do céu da minha boca

sábado, janeiro 07, 2006

tem link novo ao lado. o primeirinho...

sexta-feira, janeiro 06, 2006

se erro
[e sei que erro]
não é porque sou o pior dos seres humanos

é essa maldita insegurança
[e absurda]
que me transforma em silhueta soturna

terça-feira, janeiro 03, 2006

há recordações em teus olhos
que nem o castanho deles esconde
[eu poderia ler tua íris]


o tremor das pálpebras
no instante em que sonhas
traz o silêncio onírico

um balançar de cabelos num dia molhado de sol

segunda-feira, janeiro 02, 2006

a mão no bolso
o vazio

meus amigos caem do meu bolso furado
e a rua ganha ladrilhos de carne e osso.

quarta-feira, dezembro 28, 2005

o ano (novo)
não veste meu corpo (velho)

o tempo se repete sempre
num ciclo interminável de erros e acertos

ora atrasa
ora adianta
às vezes até pára

e meu corpo (novo)
não entra mais no ano (velho)

eu passei pelo tempo