sexta-feira, abril 07, 2006

quarta-feira, abril 05, 2006

os espelhos refletem meu tênis
nas ruas molhadas que atravesso

espelhos que se quebram pelos pneus dos carros apressados no cinza da manhã

segunda-feira, março 27, 2006

quinta-feira, março 23, 2006

tal qual um sapato velho
há marcas de terra na sola dos meus pés
vindas lá do horizonte
que tá sempre tão distante...

sábado, março 18, 2006

em março as árvores trocam de roupa
e o céu chora todo um ano que se foi

lembranças guardadas
na anágua do vestido bordado
com fotografias envelhecidas
de um outono que passou

quarta-feira, março 08, 2006

em que circunstâncias
tua mão esquerda se apoderou do meu seio direito
e tua saliva tatuou o meu cangote

provocando essa cat[ARRR!!!]se?

quinta-feira, março 02, 2006

onirismo

um sonho de trezentos e um mil caracóis
[que não são dos teus cabelos]
colorem a madrugada da pequena medusa
[que nem imagina o seu destino]

era um sonho
.
.
.
era real.

domingo, fevereiro 26, 2006

um dia com jaco

da lâmina escorre o teu sangue

a história da tua vida
marcada pelos trastes retirados
do teu contra
b
a
i
x
o

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

tudo/nada

tudo era um ontem
sem sentido algum
[a não ser o fato de que nada se poderia mudar. tudo havia passado. tudo era passado. findo]
nada nos chegava às mãos
tudo escapulia

agora há essa possibilidade de alcance
que as dobras do teu corpo nos trouxe
[teu pescoço escondido
tua gengiva cor de rosa
as janelas da tua alma azul]

cada porta que se abre, agora,
é o tudo
[possibilidade]
o nada virou ontem

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

um cheiro que fica e consola
saudades da inocência
e da tua gargalhada sonora

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

nós seríamos
se jamais fôssemos
o que éramos

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

uma sombra no meu quintal desenha um pássaro suave
que faz cânticos às 6 horas da manhã

do outro lado
um feixe de luz vence a barreira
e atravessa cílios

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

a introspecção por vezes é meu escudo
[travo até diante do espelho]
aquela que aparece é a face no disfarce
mas não disfarço o medo de ser quem vc pensa

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

sexta-feira, janeiro 27, 2006

o que o alimentava
era o hálito de luxúria que da sua boca exalava
nem cálice de vinho
nem absinto
nem licor o deixavam mais embriagado
do que aquele hálito
o perfume de sexo
derramado em cima da cama

terça-feira, janeiro 24, 2006

a distância é sempre a mesma
mas ir parece ser mais custoso do que a volta

o retorno [eterno de Nietzsche] apressa o tempo

e no verão com seu horário
ganho uma hora a mais contigo

sexta-feira, janeiro 13, 2006

daqui
onde o mar vira artérias da ilha
eu vejo algodões densos

uns em forma de urso
outros em forma de rinoceronte

eu perto do sol
eu nuvem
em forma de saudade

quinta-feira, janeiro 12, 2006

língua afiada
ternura nos olhos
é reuben
com calos de escritor

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Ledusha

ERRATA

onde lia-se desejo
leia-se despejo

não quero mais
essa vertigem de vogais
-tantos ais-
como se fossem consoantes

----
SOPRO

estalo a língua ao sabor do vento
o verbo lambe os lábios
de canto a canto
sinto estremecer desordenadamente
o verso

poemas de Ledusha, do livro Finesse e fissura
reflexos nas ruas revelam o choro da noite
o dia tb chora
choram cabelos, sapatos,
choram dedos, narizes, árvores
choram sombrinhas que lutam por um espaço na Rua Grande...

segunda-feira, janeiro 09, 2006

tua gargalhada
cospe notas musicais
que se misturam às estrelas
do céu da minha boca

sábado, janeiro 07, 2006

tem link novo ao lado. o primeirinho...

sexta-feira, janeiro 06, 2006

se erro
[e sei que erro]
não é porque sou o pior dos seres humanos

é essa maldita insegurança
[e absurda]
que me transforma em silhueta soturna

terça-feira, janeiro 03, 2006

há recordações em teus olhos
que nem o castanho deles esconde
[eu poderia ler tua íris]


o tremor das pálpebras
no instante em que sonhas
traz o silêncio onírico

um balançar de cabelos num dia molhado de sol

segunda-feira, janeiro 02, 2006

a mão no bolso
o vazio

meus amigos caem do meu bolso furado
e a rua ganha ladrilhos de carne e osso.

quarta-feira, dezembro 28, 2005

o ano (novo)
não veste meu corpo (velho)

o tempo se repete sempre
num ciclo interminável de erros e acertos

ora atrasa
ora adianta
às vezes até pára

e meu corpo (novo)
não entra mais no ano (velho)

eu passei pelo tempo

segunda-feira, dezembro 19, 2005

já cansada
de nos salvar
acho que já é hora
de eu me resgatar

quinta-feira, dezembro 15, 2005

dentre as folhas secas
estalidos crescentes
dos pequenos pés
da pequena descalça na varanda

ela
no encalço do vento
que assobia

segunda-feira, dezembro 12, 2005

são as costas que dóem
é o vermelho que antecede o dia
e tudo ao redor segue o caminho normal

eu me sinto à parte...

segunda-feira, dezembro 05, 2005

não me peça calma
quando a vontade maior é de me jogar de um precipício
não me impeça agora

eram tempos bons quando a chuva sorria
e eu, amedrontada, me escondia em teus lençóis
aquilo era amor, baby

nós dois juntos sempre unidos
reunidos
em uníssono

sexta-feira, novembro 25, 2005

Lucy in the Sky with Diamonds

levo a vida
sossegada como dente de leão solto ao vento
duvido você me alcançar

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quarta-feira, novembro 23, 2005

... tem pó
no chão da casa. é o
tempo
que passou...

segunda-feira, novembro 21, 2005

azular

Nascer é uma alegria que dói (Eduardo Galeano)


já era hora de vc chegar
porque as paredes da casa estravamn limpas demais
porque a vida a dois pedia uma infância há muito perdida
porque o ventre fazia ecos
e o umbigo queria ter ligações
porque a vontade pedia para ser perpetuada
e vida queria seguir o seu destino
de multiplicações...
(minha sobrinha chegou. o mundo hoje azulou!!!!!!!)

sexta-feira, novembro 18, 2005

as linhas da palma da tua mão esquerda
dizem assim, meio que com tremores de um dia enfadado
dizem assim, com calos amarelados que arranham as minhas costas
elas dizem o desejo do corpo magro
bucólico e suave
trêmulo e suado

a porta trancada
uma toalha vermelha na maçaneta da porta
pelo lado de fora
as linhas da palma da tua mão esquerda
dizem assim...

quinta-feira, novembro 17, 2005

pânico nas ruas

Momentos de greve, confusão
Muitos carros e poucos virão

Tenho sido encontrada
E só eu não me encontro...

terça-feira, novembro 01, 2005

eu não saio limpo do limbo
eu - nimbo - derramo lágrimas
que orvalham nos teus cabelos que teimam em queimar de sol

segunda-feira, outubro 31, 2005

terça-feira, outubro 25, 2005

Para Mariele*

Mãos na barriga da mãe natureza
Grande umbigo
O alimento do mundo no mundo da (o) pequena (o) mar
- e ele
Sem saber de onde vem a força
Que aperta com dedos tão finos
A emoção da vida.
*minha mais nova sobrinha linda que chegará em novembro

segunda-feira, outubro 24, 2005

teu rastro
você deixou nas ceras da borracha,
no papel manchado

o amassado é a cólera
pulsante diante das fotografias de maio
[nem uma tesoura poderia recortar tantas recordações]

no papel amassado
uma poesia que seria
sereia-flor de menina encantada

quarta-feira, outubro 19, 2005

era por meio das frestas que se podia ouvir as lufadas do vento
ela dizia coisas sem sentido
e ele a compreendia
era por meio das festas que se podiam deixar encontrar no momento
ela de roxo, longo
ele, fraque
tão fraco
a deixou escapar

terça-feira, outubro 18, 2005

porta-casa-vazia
morta-asa-azia
língua de borboleta que se dobra à roseira
um ninho
tão bonitinho...
passarinho
folhas da planta na varanda molhada
reluz arco-íris
são pingos da chuva de outubro, não outono.

sexta-feira, outubro 14, 2005

como se com aquele último suspiro pudesse desdizer o que nem havia sido dito
[bendito bandido]
nenhum sentido a mais do que realmente fosse necessário
um olhar opaco, desfocado
uma coisa era certa:
não haveria mais soneto, sonatas, sons...

segunda-feira, outubro 10, 2005

coisas que precisam ser ouvidas vez em quando
O sol da noite agora está nascendo
Alguma coisa está acontecendo
Não dá no rádio nem está
Nas bancas de jornais
Em cada dia ou qualquer lugar
Um larga a fábrica, outro sai do lar
E até as mulheres, ditas escravas,
Já não querem servir mais
Ao som da flauta
Da mãe serpente
No para-inferno
De Adão na gente
Dança o bebê
Uma dança bem diferente

O vento voa e varre as velhas ruas
Capim silvestre racha as pedras nuas
Encobre asfaltos que guardavam
Hitórias terríveis
Já não há mais culpado nem inocente
Cada pessoa ou coisa é diferente
Já que assim, baseado em que
Você pune quem não é você?

Ao som da flauta
Da mão serpente
No para-inferno
De Adão na gente
Dança o bebê
Uma dança bem diferente

Querer o meu
Não é roubar o seu
Pois o que eu quero
É só função de eu

Sociedade alternativa
Sociedade novo aeon
É um sapato em cada pé
É direito de ser ateu ou de ter fé
Ter prato entupido de comida que você mais gosta
É ser carregado, ou carregar gente nas costas
Direito de ter riso e de prazer
E até direito de deixar
Jesus Sofrer

(Novo Aeon - Raul Seixas, Cláudio Roberto, Marcelo Mota)

quinta-feira, outubro 06, 2005

lua crescente (ou um risco que pintou o céu)

Marília não entendia
por que com tanta agonia
o céu ainda assim sorria...
como que podia???

segunda-feira, outubro 03, 2005

habeas corpus

eu bem te quis, um dia, à soleira da minha porta
e quando em casulos empoeirados
pedia sempre que voltasse
[como se sussurros voltados para o alto
fossem truques de magia]
teu regresso
[mais do que apreço]
era neblina suja

sim,
eu te concedo salvo conduto
se me prometer
meu alvará de soltura

quarta-feira, setembro 28, 2005

bailam no ar
três pontinhos
doidos para ser reticências
. .
.
três pontinhos
sem sincronia
sem sintonia
. .
.
três pontinhos que só existem sozinhos
ponto final.

terça-feira, setembro 27, 2005

segunda-feira, setembro 26, 2005

eu nego todo e qualquer fio de cabelo
encaracolado e queimado de sol
salivado por tua língua que sobe e desce
[maré alta ou maré baixa?]
/
vontade de deixar a própria vontade ser a fome
matar a sede com sal
colecionar conchas que fazem cores no pescoço
um dia para se sujar de areia.

quinta-feira, setembro 22, 2005

não há provérbio que te defina
que me ensine até que ponto eu possa ir
nenhuma canção tem melodia o bastante
que te retrate nos refrões
há algo de indizível nos verbos que conjugas quando estás sóbrio

que história esconde o teu sorriso?

terça-feira, setembro 20, 2005

reconheço um resto de remorso ainda em mim
por erros de vidas passadas

ainda espero respostas que nem sei se virão
disfarçados de big-ben ou maçã
então figuro em quadros barrocos
[às vezes em Bosch]
sem molduras que sustentem a verdade
vendidos em leilões
aos culpados por toda a eternidade

segunda-feira, setembro 19, 2005

sentados
à beira da calçada
nenhum deles à direita Dele
nenhum convertido
todos convergentes
gente rindo à toa
na boa

sexta-feira, setembro 16, 2005

nas madrugadas escuras e frias
bailam durante o meu sono e brindam com copos de sangue
a entrada franca numa festa privê.
zuzunzuns e confetes
perturbam o meu sono
e minha pele -toda pintada-
não agradece.

quarta-feira, setembro 14, 2005

você quer uma alegria????


clique aqui

segunda-feira, setembro 12, 2005

penitência

juro por deus e por todos os santos do muuundo
eu nada sei do amor
-nada sei-

só sei do credo, ave maria, pai nosso, salve rainha
do amor - tal desconhecido-
juro. não o conheço

e acendo velas e rezo meu rosário todo dia às seis.

sexta-feira, setembro 02, 2005

cansada de ter a vida invadida
arranjada e tolhida
cansada...
benditos os gatos!

quarta-feira, agosto 31, 2005

terça-feira, agosto 30, 2005

calce os pés dela com tua língua
faça lama do que antes era dança
dance a língua naqueles dedos que batem tambor por debaixo dos panos
seja plano

sábado, agosto 27, 2005

eu poderia ir além das coisas
criar uma trilha de passos rápidos
formar caminhos de papéis de carta
para não perder o caminho da volta

seguindo as letras de uma história antiga
eu voltaria sem o peso dos teus problemas nas minhas costas.

sexta-feira, agosto 26, 2005

quinta-feira, agosto 25, 2005

um pêndulo
com pressa de marcar as horas

teu sexo aponta feito bússola que norteia o caminho
coit[o]ada

podia jurar ter se perdido [no tempo] ao abrir os olhos

sexta-feira, agosto 19, 2005

quarta-feira, agosto 17, 2005

para Jana.arte

céu blues
orienta o tráfego das asas perdidas num triângulo amoroso
não há gravidade que grite mais alto
do que o sublime canto dos pássaros na primavera
-estação mais romântica da terra-
estas são as palavras perdidas
-um tanto esquecidas-
de quem te conheceu num dia em que a chuva sorria.

(porque escrevi isso logo após ler o scrap dela no meu orkut)

segunda-feira, agosto 15, 2005

um tanto quanto abissal
- eu diria -
sem imaginar que mistério
pode envolver tamanha magnitude
dos teus conselhos
tão maternos

sexta-feira, agosto 12, 2005

depois de observar
e absorver
um dia inteiro
foi ao encontro da paz anunciada
totalmente alucinada

quinta-feira, agosto 11, 2005

tudo borrado
um desenho manchado
sem fora e sem dentro, sem nada
tudo borrado
manchado
apagado

terça-feira, agosto 09, 2005

para que não perca a inocência
e mantenha sempre o sorriso surpreso do cotidiano

para que não queira ser sempre mais do que os outros
e se divirta um dia inteiro sem luz elétrica

para que nunca tenha vergonha de sorrir
quando te faltarem dentes

para que eu possa sempre te carregar no colo
e te girar no alto

para que me ame sempre incodicionalmente
e mantenha a sinceridade nas palavras


por isso e por outras coisas


te proibo ter mais de 6 anos
no corpo e na mente
.
.
.
.

aahhhh... quem me dera poder enxugar o suor do teu rosto
gota por gota...

quarta-feira, agosto 03, 2005

passamos pelas horas
em passos tic-tac
fazemos nossos ciclos
e ficamos perdidos no compasso
sem rastro de volta

não há uma segunda chance
nosso tempo já passou

terça-feira, agosto 02, 2005

surdos trovões
cegos relâmpagos
mudos
-e fora do cotidiano-
continuamos

admirando o mundo

sexta-feira, julho 29, 2005

terça-feira, julho 26, 2005

domingo

para uma alegoria
no cabelo, um laço de fita
para uma alegria
namorar na praça após a missa.

sexta-feira, julho 22, 2005

se eu assumir o meu amor por ti
será que me deixarás partir?

o amor só é libertário nas palavras dos poemas

terça-feira, julho 19, 2005

em dias assim
em que teu quarto muda de cor
-lá pelo fim da tarde-
em que as paredes alaranjadas
furtam o branco cotidiano

segredos ficam lá trancados
e não saem nem quando a noite chega
nem quando a noite cega

sexta-feira, julho 15, 2005

ela chegou lá em casa!!!!


(O fabuloso destino de amelie poulain)
o DVD que eu comprei chegou!!!!!! já tenho programa pra esse final de semana!!!!!!

quinta-feira, julho 14, 2005

John Everett Millais, Ofélia, 1851-1852


Para concluir este obra, Millais passou quatro meses num mesmo local do condado de Surrey, a sudoeste de Londres, pintando a vegetação de fundo. Em seguida, voltou a Londres para pintar a modelo, Elizabeth Siddal, que posou numa banheira cheia, tão determindado estava Millais a captar a imagem de modo autêntico. A obra é inspirada na trágica história de Ofélia (Hamlet - Shakespeare), levada à loucura e suicídio depois que Hamlet mata-lhe o pai.
Retirado do livro História da Pintura, Wendy Beckett

quarta-feira, julho 13, 2005

foram felizes enquanto puderam
e culparam o tempo
tão alheio a tudo

segunda-feira, julho 11, 2005

tanta gente perdida
num meio mundo de opiniões
que não levam ninguém a lugar algum

deixam-se ser levados na multidão
em que o público é mero espectador

sexta-feira, julho 08, 2005

Édouard Manet, O Bar do Folies-Bergère, 1882.



Manet foi acusado de desconhecer as leis da perspectiva, pois vemos o reflexo de um freguês que parece conversar com a atendente, mas que não tem presença concreta. Considerando a posição do homem no reflexo, seria mesmo de esperar que o víssemos. Só que os críticos de Manet não perceberam a finura desse achado: nós, os espectadores, estamos no lugar que caberia ao freguês.
retirado do livro História da Pintura, de Wendy Beckett
sofria e sorria
como se não soubesse lidar com a emoção

um desespero, eu espero.
já esquecida que contigo a rua é contramão.

quinta-feira, julho 07, 2005

o caminho do meio

para o Zema


Isaak Levitan
como uma formiga
caminho traiçoeiramente sobre teu corpo
para carregar restos do que foi teu lanche na última tarde

o corpo que se levanta não quer mais ser balançado pela tua rede

terça-feira, julho 05, 2005

verbos para os cotidianos da vida

limpar os pés no tapete da entrada da casa
deixar o pó e a fuligem de todos a quem encontraste
sorrir os abraços
dançar os bons dias
e avançar a rua no sinal verde
lavar o corpo
deitar no chuveiro...

segunda-feira, julho 04, 2005

flores, flores, flores
o que fazer com as flores
quando tudo são dores
e nem as cores
se correspondem com tais horrores?

quinta-feira, junho 23, 2005



Serias figurinha repetida
Não fossem tuas cores e sons tão marcantes
Neste álbum de 1980
Que ainda não completei
Pra não ter que guardá-lo

terça-feira, junho 21, 2005

tua representação do mundo



um dia quando andavas pontiagudo em compassos torcidos
visitastes um caminho há muito percorrido
que só eu conhecia
e só eu ia

teu olhar refratário que pensava ver que nem o meu
[e tudo era ilusão]
assim, meio que de lado
traiu a atenção que merecia
e ergueu a cabeça para tentar ver

e eu vi

tua visão próxima da minha
confidenciava a tua representação da vida
tão próxima da minha

as horas eram as mesmas
mas o lugar era outro.

sexta-feira, junho 17, 2005

esse meu rosto redondo
de meia lua
esconde um corpo magro
pintado em tela
à óleo

um quadro esquecido
em meio à degas e manet
quando há muito
o que você quer
é escher.

quinta-feira, junho 16, 2005

no meu jardim

um maracujá azul
e um copo de leite

quarta-feira, junho 15, 2005

chuva-descarrego

olhe longe
bem no horizonte

e vê

uma chuva cinza que se aproxima
chuva descarrego

ninguém pode perder

chuva assim é rara
para corpos pesados
que desmancham sem prazer

poderia virar algo
(água benta)
ou qualquer coisa pra benzer

terça-feira, junho 14, 2005

hummmmmmmm!!!!!!! Cheirinho de casa nova!

façam suas apostas


Meu Deus! Colocaram um chumaço de cabelo no Linus, tadinho!

segunda-feira, junho 13, 2005



















Vento em popa
sopra meus olhos
e tira a minha roupa

quinta-feira, junho 09, 2005

santa cecí­lia

vou comer pipoca
doce-
-de-leite
moça
bonita que nem raio-
-de-sol
de meio dia
e meia
3 /4
escuros
caminhos
sem fins-
-de-semana
santa
Cecí­lia
moça bonita que nem raio-
-de-sol
de meio dia...

quarta-feira, junho 08, 2005

posso sentir teu coraçãozinho pedindo
e eu pedindo o contrário
dentro do quarto escuro
e eu no outro, claro

a canção ecoa
e você cantarola para mim o que consegue entender

corre, mãe. a noite já vai acabar.

terça-feira, junho 07, 2005

roubaram meu amuleto


Na deodoro. E eu nunca me senti tão só na vida quanto ontem. Lá, na parada, no meio de um monte de gente comentando o roubo. Apontando para mim. E meu pescoço arranhado e meu olho marejado. Mas só chorei em casa, quando molusco percebeu a marca. Meu amuleto que não me trazia sorte, nem nada. Mas era meu snoopy. Minha marca, tatuagem. Eu tô chovendo toda.
Posted by Hello

sim, nós somos desenhos animados!


môre molusco & Gisele Van Pelt
então foi isso que fiz no trabalho hoje!

segunda-feira, junho 06, 2005

Casa Amarela

Vang Gogh

Minha casa amarela
tem um quarto azul
com porta e janela
de onde eu vejo ela
toda ela

Minha casa amarela
tem uma sala
com a janta dela
da magrela
de tristeza azul
e sorriso banguela.

Quarto Azul

Vang Gogh

quinta-feira, junho 02, 2005

In verno

lentes foscas que servem de ponto de patinação
e teus olhos vêem um corpo que dança
e acasala feito bicho no cio

É

vamos patinar no gelo
e deixar de lado quem nos vê
fazer nó
e fundir-se em pó.